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Ei, viajantes do som da música/aventureiros no tempo,

           Vriêmia é um neologismo baseado na sonoridade da palavra vremya de origem russa. Inventada para nomear o conjunto de músicas que fluíram em LuxArtSans, significa tempo.

           Um tempo em que não há nada de inédito, exceto tudo... Vriêmia é o antigo e ao mesmo tempo novo que agora, enquanto lemos estas linhas, volta a se repetir.

           Nascemos num mundo significado por Outros que vieram antes de nós. Somos seus sucessores, inventando novidades com sons e palavras repetidas. Em grande parte, o nosso por vir depende do que fazemos com o legado cultural que herdamos.  

           Nossa trajetória vai de um ponto de partida ao seu retorno. Um percurso de dentro para fora, e vice-e-versa, em que não entramos nem saímos até voltarmos novamente para o mesmo lugar. Porém, ao chegarmos, estamos transformados e o ponto já é outro. Nunca passamos pelo mesmo rio duas vezes, já dizia Heráclito de Éfeso.

           LuxArtSans criou Vriêmia com amostras de sons de variados instrumentos gravados por músicos ao redor do mundo e disponibilizados gratuitamente em livrarias de samples pela internet. As livrarias de samples contém sons de vários instrumentos separados nota por nota: vão desde os sons das diferentes peças de uma bateria até as diferentes notas, timbres e jeitos de tocar de um violino, por exemplo. 

           A generosidade da Orquestra Filarmônica de Londres ( http://www.philharmonia.co.uk) em dispor gratuitamente amostras de sons de seus instrumentos foi fundamental para os sons de cordas e sopros encontrados no disco. Muito obrigado!

           Os sons dos instrumentos nas livrarias de samples foram utilizados artesanalmente na gravação do disco. Artesanato digital. Lux, copiou amostras sonoras das livrarias de samples e colou as notas até encontrar a sonoridade que queria. O processo é similar ao copiar e colar um texto, em que alteramos palavras, e consequentemente sentidos, até chegarmos no que queremos expressar.

           Vocais, violão, baixo, teclado MIDI e a vigorosa guitarra Dolphin Black Bold foram gravados em seu estúdio caseiro nas Laranjeiras e entrelaçados na teia sonora tecida com os samples, resultando nas 14 músicas de Vriêmia.

           Ana Paula Braga em São Paulo e Isabele Rangel no Rio de Janeiro, contribuíram com a beleza de suas vozes, cantando, respectivamente, em Diálogo com a Dona Paixão e Polimorfo Perversa.

           Todas as músicas são de autoria de LuxArtSans, exceto Relaxe, composta por Cristiano Di Donato e LuxArtSans. João Grembecki participou na criação das baterias de Relaxe e Polimorfo Perversa. Diálogo com a Dona Paixão é baseada livremente numa jam dos Piroplásticos. 

           Gravado no Rio de Janeiro entre junho de 2011 e janeiro de 2013. Produzido e mixado por LuxArtSans no estúdio Lê-me, entre janeiro e junho de 2013. Masterizado por Paulo Torres nos dias 10 e 11 de junho de 2013 no estúdio MCK, em São Paulo.

           LuxArtSans é o pseudônimo de Lucio Artioli dos Santos, guitarrista e compositor paulistano. 

           Fazer música é significar o tempo, escrevendo através dele sua própria passagem. É cortar o vento com notas e palavras rasgando versos no ar para, então, costurá-los com a memória. É dar andamento para a eterna dança muda da mudança, que nos atravessa e pelo qual atravessamos, enquanto o inevitável não nos alcança.


           Lucio Artioli dos Santos, 19 de junho de 2013.

  “(...)cada vez mais percebo melhor que o tempo... Acho que a música ajuda sempre a compreender um pouco esse assunto. Bom, não a compreender, por que a verdade é que não compreendo nada. A única coisa que faço é perceber que existe algo. Como esses sonhos, não é mesmo?, em que se começa a suspeitar que tudo vai se perder, e se tem um pouco de medo antecipado, mas ao mesmo tempo não se está nada seguro e de repente tudo dá uma reviravolta (…) A música me tirava do tempo, embora isso não seja mais do que uma maneira de dizer. Se queres saber o que realmente sinto, acho que a música me metia dentro do tempo. Mas aí é preciso acreditar que esse tempo não tem nada a ver com... bom, com a gente, por assim dizer”

O perseguidor, Julio Cortázar, 1959.

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